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História

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A história da Estação Barro, atual município de Gaurama, têm estreita relação com a ferrovia São Paulo – Rio Grande. Nos primeiros anos do século XX, no entorno dos caminhos de ferro e de sua estação, nasceu a Colônia Barro, que durante cerca de quatro décadas centralizou a movimentação de migrantes e imigrantes atraídos por duas formas de colonização, que faziam a comercialização de terras: a Comissão de Terras e a Empresa Colonizadora Luce Rosa.

Em 1908 foi criada a Colônia Erechim pelo governo positivista de então, - a qual pertenceu Barro – justamente para organizar a venda de lotes rurais, já que a ferrovia surgia como grande possibilidade de transporte de imigrantes. No espaço coberto de matas no norte do Rio Grande do Sul, a partir de então, iniciam-se trajetórias históricas de ocupação e exploração, de vivências várias, coordenadas pela chegada e partida dos trens.

A partir de 1910 os caminhos os caminhos de ferro foram transportadores de histórias de vidas, de sonhos de enriquecimento e da busca de terras, e a estação passou a ser o ponto de chegada e de partida daquela movimentação humana. Os que primeiro aportaram na região de Barro foram atraídos justamente pela possibilidade de trabalho na construção da ferrovia São Paulo – Rio Grande, por volta de 1907.

O ritmo da vida na vila em formação foi fortemente influenciado pela presença da ferrovia. E a estação, em particular, humana e socialmente, passou a dirigir e modelar a vida da comunidade que se movimentava. Os acontecimentos políticos e sociais realizavam-se, a partir da plataforma da estação ou no seu âmbito.

O embarque/desembarque de passageiros, o carregamento/descarregamento de mercadorias, os telegramas que chegavam, algum dinheiro que vinha em envelope enviado de outra estação, o sino que avisava sobre a proximidade do trem, foram experiência de vivências cotidianas determinadas pelo rufar da locomotiva e pelo tradicional apito que chamava para a estação, guardados em imagens e sonoridade ainda muito presentes nas lembranças. Muitos negócios e encomendas eram feitos na própria plataforma da estação, onde barricas com ovos e queijo colonial eram vendidas; por sua vez, as poucas publicações e periódicos, a banana fruta então rara e apreciada, e o aroma das maças e das peras argentinas, tudo, era avidamente aguardado.

A partir da chegada dos trilhos, o local teve características próprias e um ritmo acelerado que, logo após 1910, significou algo mais que apenas uma estação ou parada dos trens. Quando a Comissão de Terras pretendeu demarcar ordenadamente os lotes para o perímetro urbano de Barro, boa parte dos terrenos próximos à área da estação estava já ocupada, sem prévia planificação. Por essa razão, também diferentemente de outros municípios, a estação ferroviária centralizou o ordenamento urbanístico, que foi ao longo dos trilhos, conformação que permanece até a atualidade.
A estação Barro foi um centro de abastecimento de água e lenha para as marias-fumaças, e tinha a necessidade de amplos espaços para depósito, bem como para a madeira destinada à exportação, que ficava estocada perto da estação aguardando os vagões.

Se a história apenas registrou a presença de alemães, italianos e poloneses, na formação da colônia Barro evidenciou-se a presença de varias nacionalidades: russo, ucranianos, lituanos, prussianos, espanhóis, holandeses, portugueses, e austríacos. Esses grupos multifacetados, alguns oriundos de países não unificados, provinham de diferentes regiões europeias; tinham muitas vezes o registro no passaporte não pelo sua etnia, mas, pelo nome do país que eventualmente dominavam a sua região.
A setorização espontânea das etnias no povoado aproximou fisicamente os colonizadores e propiciou a criação de sociedades étnicas que contemplavam alemães, italianos e poloneses. Em 1918 foi criada a “Sociedade de Marechal Joséj Pilzudski”, que reunia descendentes de poloneses. Ali logo funcionou um cinema mudo. Em 1924, os italianos organizaram uma sociedade de mútuo socorro, a “Societá Italiana di Mutuo Soccorso Principessa Mafalda”, uma das 64 existentes no estado à época. Em 1927, foi criada a sociedade alemã “Deutscher Verein Graf Von Spee” e, na linha 2, secção Suzana formou-se a “General Feldmarchal Von Hindenburg”.

Na década de 1920, no âmbito da colônia Barro, os chamados “engenhos de serra” às serrarias eram em número de sete para uma população de seis mil moradores. Esse número nos dão a dimensão da atividade exploratória da madeira no período. No povoado, a área reservada que ficou conhecida como “quadro da estação”, foi cenário característico.

Na constituição do povoado Barro, tanto quanto nas demais regiões de colonização, os comerciantes criaram o espaço de negócios, de sociabilidade, de conchavos políticos, de lazer, de informações que recebiam dos caixeiros-viajantes e que passavam aos fregueses.  Eles foram o elo de ligação de inúmeros processos econômicos, culturais, e motivadores da relação com o mundo externo à colônia.

A localização das casas comerciais o mais próximo possível da estação ferroviária configurou o perfil do povoado Barro. Situados logisticamente, possibilitavam que os colonos descarregassem sua produção, carregassem as compras, esperassem o sino avisar sobre a proximidade do trem e fossem até a estação. Muitas correspondências, telegramas e encomendas eram buscadas ou enviadas diretamente na estação.